O dor silenciosa de uma mãe, um novo começo com coragem
O rosto de Aimee, de trinta e um anos, ilumina-se quando fala do seu filho. É uma jovem mãe com um sorriso suave, mas por trás desse sorriso há uma dor que carregou em silêncio durante nove anos, ligada ao simples ato de se tornar mãe.
«Começou aproximadamente um mês depois de ter o meu bebé», partilhou Aimee. «Tinha dores nas costas e no ventre. Quando a dor parou, senti algo inchar na minha zona íntima.»

Quando Aimee procurou atendimento no hospital local, os médicos diagnosticaram-lhe prolapso uterovaginal, uma condição em que os órgãos pélvicos descem para o canal de parto e podem causar dor, pressão e desconforto. O diagnóstico explicava o que Aimee estava a viver, mas não lhe trouxe alívio.
Uma vida silenciosamente limitada
A condição começou a moldar lentamente cada parte da vida de Aimee e tornou-se crónica.
«Antes, conseguia fazer todo o meu trabalho», disse ela. «Mas como tive essa doença, tive de deixar de trabalhar. Às vezes, a dor torna-se realmente forte.»

Ir buscar água, carregar pesos e até realizar as tarefas domésticas diárias tornou-se difícil. Como empregada doméstica, a sua incapacidade de trabalhar afetou o seu sentido de independência e dignidade.
Para a sua mãe, Céline, ver a filha sofrer foi devastador.
«Como mãe e como mulher, senti-me muito triste quando ela estava doente», disse Céline. «Tive de cuidar dela porque a sua doença preocupava-me sempre que pensava nisso.»
Juntas, procuraram ajuda. Aimee visitou médicos e curandeiros tradicionais ao longo dos anos, mas nada aliviou os seus sintomas. «Não vi resultados», disse Aimee. «Os médicos e os tratamentos tradicionais não funcionaram comigo.»
Sofrimento invisível
Aimee apenas falou da sua condição com a mãe e familiares próximos.
«Não gosto de falar sobre isso com os outros», disse. «Poderiam acabar a fofocar sobre mim.»
Na sua comunidade, a doença era invisível, e essa invisibilidade tornou-se outro fardo.
«Como tinha uma condição que não se via, algumas pessoas não acreditavam que estivesse doente», explicou. «Por fora, parecia saudável.»
Quando passava tempo com amigas, sentia o peso da comparação.
«Quando estamos juntas, todas estão saudáveis», disse ela. «Apenas finjo estar bem, embora não esteja.»
Durante oito anos, Aimee carregou esta dor em silêncio até que um anúncio na rádio mudou tudo.

Uma razão para ter esperança
Quando Aimee ouviu na rádio sobre o Naves de Esperança e soube que havia cirurgias disponíveis para mulheres com condições como a sua, sentiu esperança pela primeira vez em anos.
«Sinceramente, fiquei encantada», disse. «Comecei a esperar imediatamente que me curassem.»

Nas suas consultas pré-operatórias, Aimee conheceu outras mulheres que sofriam de condições ginecológicas semelhantes. Enquanto partilhavam as suas histórias, surgiu um refrão comum: como as pessoas não podem ver a nossa doença, não acreditam na nossa dor.
O Dr. Jerome Melon, cirurgião ginecologista voluntário da Austrália, liderou a equipa médica que operou Aimee.
«Os problemas ginecológicos são como qualquer outro problema médico», disse ele. «Afetam a qualidade de vida das pessoas. E embora não possamos vê-lo, as suas vidas podem ser muito afetadas.»

A cirurgia abordou os sintomas físicos que tinham marcado a vida diária de Aimee durante anos.
«A cirurgia de Aimee correu bem; resolvemos os sintomas do prolapso», explicou o Dr. Melon. «Isso melhora a qualidade de vida.»
Cura, juntas
Após a cirurgia, Aimee passou vários dias a recuperar na enfermaria de saúde da mulher. A líder voluntária da equipa de enfermeiras, Jocelyn Fisher, da Nova Zelândia, recorda a sua presença discreta quando chegou.
«Ao princípio, a Aimee era bastante reservada», recordou. «Sentava-se sozinha muito tempo.»
Mas algo começou a mudar.
«Depois da operação, aproximou-se mais das outras mulheres», disse Jocelyn. «É como se lhe tivessem tirado um peso de cima.»

A sala, cheia de conversas, atividades partilhadas e música suave, tornou-se um lugar de ligação e cura.
«É um privilégio ser uma pequena parte da sua jornada», refletiu Jocelyn. «Para lhes mostrar que são valorizadas e amadas.»

Para que outros saibam

Enquanto Aimee recuperava as forças, também encontrou a sua voz.
«Quero partilhar a minha história», disse, «porque há muitas mulheres como eu que não sabem para onde ir pedir ajuda. Quero que saibam que esta condição pode ser tratada.»

Quando voltou para casa, começou a falar abertamente. Uma mulher do seu bairro reconheceu os seus próprios sintomas na história de Aimee e perguntou como poderia ela também procurar atendimento.
Para Céline, a mudança na sua filha é inconfundível.
«Agora ela está viva e forte», disse ela. «Não como quando estava doente.»
A própria Aimee sente profundamente a diferença. «Sinto-me leve», partilhou. «O meu corpo não é o mesmo de antes.»

Agora, a sua esperança é simples: viver plenamente como mulher, mãe e trabalhadora, livre do fardo que outrora carregou em silêncio.

Pode associar-se ao Naves de Esperança para apoiar a saúde das mulheres e ajudar a oferecer tratamentos que restauram a dignidade. Descubra como se pode envolver.